
Quem estava se preparando para o churrasco de fim de semana recebeu uma notícia bem-vinda: segundo levantamento da Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), os preços da carne bovina e da carne suína recuaram no atacado ao longo de julho, num alívio pontual depois de meses de pressão altista sobre o bolso do consumidor brasileiro.
O recuo aparece num momento em que o frango resfriado vem ganhando espaço firme no prato do brasileiro — e não por acaso. O motivo é simples: preparo mais rápido, preço mais baixo por quilo em comparação com a carne bovina, e boa aceitação no consumo diário das famílias, características que tornam o frango uma alternativa cada vez mais competitiva justamente nos momentos em que o preço da carne vermelha pesa mais no orçamento doméstico.
Mesmo com o recuo pontual de julho, o cenário de médio prazo para a carne bovina segue de olho em alta: o preço acumulado do corte já havia subido 45% em dois anos até o início de 2026, batendo recorde histórico, e especialistas do setor seguem projetando novos aumentos de até 7% até o final de agosto, à medida que a demanda por proteína volta a se aquecer — inclusive puxada por eventos como a Copa do Mundo, que historicamente aumenta o consumo de carnes em geral, com destaque para a suína, associada por 86% dos brasileiros diretamente ao hábito de assistir futebol.
Para quem organiza churrasco com frequência, o recado prático desse cenário é claro: aproveitar o momento de recuo pontual do atacado para se planejar com antecedência, já que a tendência de médio prazo aponta para preços mais altos nos próximos meses, não mais baixos. Comprar em maior quantidade quando o preço está favorável, e recorrer ao açougueiro de confiança para negociar cortes por quilo em vez de peças pré-embaladas, seguem sendo estratégias eficazes para economizar sem abrir mão da qualidade da carne no churrasco.
O movimento também reforça uma tendência que vem se consolidando no cardápio do churrasco brasileiro: a diversificação de proteínas. Cada vez mais churrascos misturam cortes bovinos tradicionais com opções de frango e, em menor escala, suínos, tanto por questão de custo quanto por variedade de sabor — uma mudança de comportamento que os próprios dados de consumo da Cepea ajudam a confirmar mês após mês.
Resta acompanhar se o recuo de julho é apenas um respiro pontual dentro de uma trajetória mais longa de alta, ou se sinaliza uma acomodação mais duradoura de preços no setor. Por ora, o conselho prático para quem ama um bom churrasco é aproveitar o momento mais favorável do atacado para reabastecer o freezer — e ficar de olho nos próximos boletins da Cepea para saber se a trégua nos preços vai durar.
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